quarta-feira, 7 de abril de 2010

Aulas práticas de educação sexual

Ultimamente fala-se muito sobre os casos de abuso sexual a menores dentro da igreja católica. Sinto que toda a instituição tem vindo a servir de bode expiatório numa questão que não a afecta apenas a ela. Compreendo que haja ovelhas negras dentro de todos os rebanhos, mas entendo que a opinião pública esteja a ser demasiado severa. É por este motivo que me sinto na obrigação de expor alguns argumentos que abonam a favor da igreja.

Segundo relatório do Arcebispo Silvano Tomasi, de um observatório científico do Vaticano, há alguns factos importantes a considerar:
  • Para começar, cerca de 85% dos padres abusadores não praticam pedofilia (acto sexual com crianças e pré-pubescentes), mas sim efebofilia (acto sexual com adolescentes pubescentes ou pós-pubescentes). Enquanto que a pedofilia é classificada como doença mental pela Organização Mundial de Saúde e a efobofilia é apenas classificada como desordem sexual pela ONU. Os problemas com que a igreja se depara são assim, na sua maioria, casos de homossexualidade, e não casos de pederastismo.
  • Pelas suas estimativas o abuso a menores não abrange mais que 1,5 a 5% do número total de padres da instituição. Além disso, segundo este senhor, o problema é bem maior em "outras instituições" (Judeus e Protestantes). Se formos a ver, é um número bastante baixo. Na pior das hipóteses, apenas 1 em cada 20 padres católicos já terá abusado de (é importante frisar) adolescentes. A igreja católica passa o exame com distinção, com a soberba cotação de 95%. Não se pode pedir mais. Desconheço se foi efectuado algum estudo estatístico deste teor relativamente ao escândalo dos padres protestantes dos E.U.A., mas a existir conterá certamente valores de outra magnitude.

Mas convido-vos a olharem estes "problemas" por outro prisma. Numa altura em que a iniciação sexual dos jovens é cada vez mais prematura é importante que estes estejam esclarecidos sobre as questões do foro íntimo e sobre os perigos da tentação carnal. É sabido que muitos jovens têm dificuldade em abordar estes temas com os pais, e vice-versa. Revistas e a internet não serão certamente os melhores suportes didácticos. Aulas de educação sexual também não serão a melhor solução, pois um jovem poderá ter que expor as suas dúvidas ao resto dos colegas, e assim ficar sujeito a sofrer humilhação pela sua ingenuidade ou ignorância, com as represálias subsequentes no recreio.
Por outro lado, vários estudos mostraram que a melhor forma de cimentar qualquer tipo de conhecimentos passa pela aprendizagem prática dos assuntos em questão, e não apenas teoria. Nesta temática crucial nunca sequer ouvi proposta semelhante. É aqui que, na minha opinião, entra o papel da igreja.

Se pensarmos bem, quem melhor que os clérigos para empreenderem essa nobre tarefa da iniciação sexual da pequenada? Quem melhor que eles para definir conceitos bíblicos como deboche, fornicação e pecado? Quem, senão eles, estará mais apto para conhecer (mais uma vez, no sentido bíbico) as criancinhas? Vejamos as vantagens:
  • São pessoas altruístas, sempre prontas a apoiar o próximo.
  • Prestam um serviço público e gratuito.
  • São pessoas puras, sem malícia nem pecados.
  • São os melhores confidentes, e trabalham em privado - aulas individuais.
  • São discretos e com um rigorosíssimo sigilo profissional.
  • São livres de DST. Uma vez que os pubescentes (regra geral) são virgens, os clérigos estão sempre livres das típicas doenças associadas ao acto sexual. De extrema utilidade nos casos em que o jovem cede às pressões do acto sexual mas insiste no uso do preservativo - o que seria pecaminoso.
  • Caso o jovem pretenda terá mesmo ao lado alguém que o pode confessar, livrando-se imediatamente de todo o pecado e garantindo assim entrada directa no céu em caso de morte repentina (que por vezes acontece - lembrem-se do caso Padre Frederico).
  • Uma vez que os jovens iniciados são na esmagadora maioria rapazes, não se corre o risco de gravidezes indesejadas.
  • A educação é ministrada com supervisão divina.
Decerto todos os pais concordarão comigo relativamente à iniciação sexual dos seus filhos: antes ser com alguém que conheçam, e que seja de confiança, do que num beco com um desconhecido qualquer depois de umas quantas rodadas de shots.
Fica a proposta.

Cardeal D. José Policarpo pede perdão

Na passado dia 2 (6ª feira santa), na homilia da Paixão do Senhor na Sé Patriarcal, D. José Policarpo pediu perdão pelos "pecados da Igreja" (no seguimento dos novos casos de pedofilia na Igreja católica na Alemanha, Áustria, Holanda e Suíça).

"Uma das características preocupantes do nosso tempo é o facto de se perder a consciência do pecado."

Realmente acho preocupante que velhos sexualmente frustrados especialistas em acusação de matéria pecaminosa "percam a consciência do pecado" e molestem sexualmente criancinhas. Contudo, sinto-me bastante feliz por saber que D. José Policarpo pediu perdão, em nome da igreja.

"Continuamos a precisar do Vosso amor redentor, por causa dos nossos pecados. Perdoai os pecados da Vossa Igreja".

OK... Pediu perdão a Deus.
No entanto, lembrou-se de dar uma palavra de apoio aos corações inocentes que foram feridos, às verdadeiras vítimas destes escândalos sexuais que tanto mancham o bom nome da igreja.

"Os pecados da Igreja ferem, de modo particular, o coração inocente de Cristo e de sua Mãe".

...Certo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Bandeiras espanholas em Valença

Valença revoltou-se contra o fecho do SAP (Serviço de Atendimento Permanente) do Centro de Saúde. O Centro de Saúde de Tui, na vizinha Galiza, prontificou-se de imediato a receber todos os doentes portugueses sem cobrar taxas moderadoras, e ainda prometeu reforçar os seus quadros de enfermeiros e médicos, caso o aumento de afluência de doentes o justificasse.

Como agradecimento pelo apreço, o povo de Valença hasteou bandeiras de Espanha pela cidade toda.

Em primeiro lugar, devo dizer que discordo. Se há para uns, também deve haver para outros. Lá porque determinadas terras são na província e na fronteira, não é razão para que haja discriminação. O que se está a passar é vergonhoso e inaceitável do ponto de vista da justiça. Afinal de contas, pagamos todos os mesmos impostos, temos todos os mesmos direitos!

É por isso que me sinto ultrajado por Valença se poder juntar a Espanha e o resto do Norte não! Quer dizer, já não bastava terem regalias em áreas como a saúde, a gasolina, o vinho verde e os festivais de marisco, como agora ainda querem ter salários mais altos e pagar menos impostos?

Em segundo lugar... se é a deserção que pretendem escolheram uma forma muito má de a fazer. Por um lado insultam o governo Português hasteando bandeiras estrangeiras. Por outro ofendem os galegos, que tão bem os acolheram, hasteando a bandeira de Espanha. Que grande bofetada de luva branca... Nunca ouviram dizer "não mordas a mão que te alimenta"?

Nunca uma corrida às bandeira tinha sido tão desenfreada desde o Europeu de 2004, quando o Scolari ordenou que se colocasse uma em cada varanda. Neste momento o único posto de venda com stock é o Hipermercado Continente, onde ainda se podem adquirir por 1€ bandeiras espanholas onde constam um dragão e um pagode chinês.

http://www.publico.pt/Sociedade/bandeiras-espanholas-em-valenca-contra-fecho-do-sap_1430948
 
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